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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

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"PAUSA PARA O REVEILLON"




Receita de Ano Novo


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,você, meu caro,
tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade
Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997.




Um brinde à todos vocês que fizeram meu
2008 um ano muito feliz, me doando o
carinho da amizade sincera e peço
à Deus que possamos estar juntos
neste 2009 que se aproxima.
Hoje faço uma pausa para viajar
para o reveillon e espero estar na
companhia de todos em Janeiro!
Um grande beijo e um Feliz Ano Novo...

tin-tin!


Serena Flor.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

1

"AUSÊNCIA"

Por muito tempo achei que a ausência é falta.

E lastimava, ignorante, a falta.


Hoje não a lastimo.


Não há falta na ausência.


A ausência é um estar em mim.


E sinto-a, branca, tão pegada,


aconchegada nos meus braços,


que rio e danço e invento exclamações alegres,


porque a ausência, essa ausência assimilada,


ninguém a rouba mais de mim.


(Carlos D. de Andrade)

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