terça-feira, 21 de outubro de 2008

"SU-BU-MA-NO"


Vive nos recantos mais inóspitos civilizados

Recosta-se nos ombros da humanidade senil

Reluta em aceitar as moedas sem valores adequados

Devolve os termos da pobreza que feriu

Rasteja pelos bares lugares de trilhas

De sombras ficadas em estradas compridas

Desfolha o galho último das filhas

Que choram as dores de nunca vividas

Cavouca nos lodos fétidos das ramas

Procurando a fome que já não lhe basta

Nas bocas fincadas nos bicos de mamas

Que sobram das noites de vida negada

Se cobre com notícias que a fome acaba

Se aquece no leito de uma figura pública

Se esquece da vida come jóia rara

Se morre na chuva de um reino sem calha.


(Retalhos/Sylvio Brasil)

Um comentário:

victor disse...

Poemas belos e com conteúdo social. Tens um excelente trabalho aqui, ainda mais ao som de Enya. Abraços

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